Fábulas sempre foram excelentes formas de ensinar. Uma dessas atribuídas à Esopo é muito apropriada para o momento.

Replico a fábula abaixo:

Um velho resolveu vender seu burro na feira da cidade. Como iria retornar andando, chamou seu neto para acompanhá-lo. Montaram os dois no animal e seguiram viagem. Passando por umas barracas de escoteiros, escutaram os comentários críticos: “Como é que pode, duas pessoas em cima deste pobre animal!”.  Resolveram então que o menino desceria, e o velho permaneceria montado. Prosseguiram… Mais na frente tinha uma lagoa e algumas velhas estavam lavando roupa. Quando viram a cena, puseram-se a reclamar: “Que absurdo! Explorando a pobre criança, podendo deixá-la em cima do animal.” Constrangidos com o ocorrido, trocaram as posições, ou seja, o menino montou e o velho desceu.  Tinham caminhado alguns metros, quando algumas jovens sentadas na calçada externaram seu espanto com o que presenciaram: “Que menino preguiçoso! Enquanto este velho senhor caminha, ele fica todo prazeroso em cima do animal. Tenha vergonha!” Diante disto, o menino desceu e desta vez o velho não subiu. Ambos resolveram caminhar, puxando o burro. Já acreditavam ter encontrado a fórmula mais correta quando passaram em frente a um bar. Alguns homens que ali estavam começaram a dar gargalhadas, fazendo chacota da cena: “São mesmo uns idiotas! Ficam andando a pé, enquanto puxam um animal tão jovem e forte!”  O avô e o neto olharam um para o outro, como que tentando encontrar a maneira correta de agir.  Então ambos pegaram o burro e o carregaram nas costas!

A moral da história o leitor obviamente sabe: não tente agradar a todos, porque não é possível. A verdade é que as pessoas nos enxergam sempre a partir da sua ótica, das suas experiências e veem apenas um recorte da nossa vida, exprimindo julgamentos sobre isso o tempo todo, por vezes sem embasamento algum, sem ter “calçado nosso sapato”.

Por essa razão, é importante que tenhamos muito claro em nossa mente o que realmente importa, de que valores não abrimos mão, que defeitos podemos aceitar no outro, que tipo de caráter aceitamos em nossas relações de amizade e ter isso sempre muito presente para não cair na armadilha de, frente a opiniões, por vezes de pessoas que nada alcançaram em suas vidas, alterar nosso comportamento, nossos ideais e objetivos.

Conte fábulas para seus filhos. São minutos preciosos para a formação de pessoas com bom caráter e certas de seu papel no mundo.

Juliana Rebellatto Locatelli
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