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Conheça Ningxia, uma nova região vinícola em um país com consumo de vinho crescente.

A China é um país tradicionalmente produtor de arroz e de saquê, mas vem inovando em uma área que pouco se ouvia falar no oriente: vinho.

No último Congresso Mundial do Vinho, organizado pela Organização Internacional do Vinho e da Vinha – OIDV, realizado em Bento Gonçalves/RS, vimos mais um país se dobrar aos sabores da uva através da apresentação de um grupo de pesquisadores representados por Linhai Hao.

A produção vinícola chinesa é relativamente jovem, se comparada com países tradicionais. Mas em um país com a população contada aos bilhões, não é difícil de ver a China posicionada como nono país em produção de vinho. Com uma produção insuficiente para o consumo, a China importou, em 2015, 5,5 milhões de hectolitros de vinho, conforme dados da Associação Chinesa de Bebidas Alcóolicas.

Os chineses consomem mais vinho a cada dia e esse consumo cresce também entre os mais jovens. O pesquisador Linhai Hao destacou durante o Congresso que o mercado tem seu consumo aumentado por conta do conhecimento relacionados ao vinho que os chineses vêm adquirindo. Assim, ele passa a compor a mesa chinesa nos jantares e também se transformou em um artigo considerado como um ótimo presente.

Investimento

Por conta de um clima pouco favorável, os chineses investem de maneira pesada em marketing para fomento das vendas, enquanto o governo de Ningxia cria estratégias para incentivar pequenas vinícolas a produzirem em menor escala, mas com foco em qualidade. A região, segundo o pesquisador, está determinada a estabelecer seu lugar no mercado. E isso percebe-se nos números apresentados aos participantes do congresso.

Em 2014 eram 130 vinícolas na China, e em 2016, 184. Outro dado relevante do vinho chinês é sobre as castas existentes: 75% delas são de Cabernet Sauvignon – tão conhecido entre os vinicultores brasileiros – mas lá, o governo incentiva a produção de outras castas. Conforme Linhai Hao: “Se mais de 13 hectares de uma casta de vinho, além do Cabernet Sauvignon, Cabernet Gernischt, Merlot e Chardonnay tiverem sido plantados, e um novo vinho comercializável for feito a partir dessa variedade, o governo concederá US$ 15 mil à adega”.

Enquanto isso, em “terra brasilis”, temos a sensação (ou seria a percepção) que pouco se faz para fomentar a indústria vinícola. Após muita luta conseguiu-se o enquadramento por um regime tributário menos oneroso, em tese, que é o Simples Nacional. Ainda assim, falta muito engajamento dos governos federal, estadual e municipal para permitir que a indústria vinícola se desenvolva em sua plenitude. Sorte a nossa que os vinicultores brasileiros possuem força de vontade de sobra e muito amor ao trabalho que desempenham.

Juliana Rebellatto Locatelli

Advogada graduada pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos. Conciliadora do Juizado Especial Cível da Comarca de Garibaldi/RS. Membro da Association Internationale des Juristes du Droit de la Vigne et du Vin (AIDV). Assessora Jurídica do Município de Coronel Pilar - RS. Membro da APEME Mulher de Garibaldi/RS.

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