Neste último artigo do ano, gostaria de iniciar a abordagem de um assunto que está velado, com cada vez menos ações. Todos temos um inimigo em comum e estamos “esquecendo” de enfrentar: drogas ilícitas. (Publicado originalmente n’O Garibaldense de 17/12/2020.)

Quando adolescente este assunto era arduamente trabalhado pela sociedade, pela escola e principalmente pelos pais. Lembro que muitas mães cheiravam as roupas dos filhos com intuito de verificar resquícios de maconha após as festas, enquanto os filhos dormiam.

Hoje essa droga é um caso mínimo de preocupação, considerando que as drogas mais usadas atualmente são as sintéticas. Muito mais difíceis de se identificar, posto que algumas delas são apenas pequenos comprimidos.

Tem sido devastador. Os pais não identificam a utilização ou fingem que não conhecem suficientemente seus filhos. Não conversam sobre o assunto, não questionam os filhos e o próximo final de semana está logo ali. O Estado nada faz para prevenir e para educar (tanto filhos quanto os pais para que todos entendam o que é, como é, o que causa…). Quanto tempo que não vemos esse assunto em evidência no sentido educativo? Infelizmente, quando vem à tona refere-se a prováveis execuções. E temos visto muitas dessas.

Você sabe identificar um comprimido de ectasy/MDMA? Você sabe como ele é utilizado? Sabe que não se pode misturar álcool com essas drogas? Já ouvi pais muito felizes porque seus filhos não bebiam álcool em festas e se orgulhavam dos seus “pequenos”. Ledo engano.

O álcool, apesar de, na minha opinião, ter um efeito devastador quando usado em demasia, é um problema fácil de ser identificado. Ao contrário dessas outras substâncias psicoativas.

Penso que se deveria formar uma força-tarefa entre Município – através da Secretaria de Saúde, Educação e Assistência Social – bem como pais, forças policiais, judiciário e mídia para combater e prevenir o uso de forma ampla.

Nossos jovens estão se envolvendo com situações desnecessárias e ninguém está questionando o porquê. O que está faltando para que eles busquem algo que coloca suas vidas em risco de várias formas – seja o consumo em si, seja o envolvimento com o tráfico, seja as lesões e sequelas cerebrais que a utilização prolongada pode causar.

As mortes de uma parte importante da população (afinal estão morrendo em idade economicamente ativa) representam nosso total fracasso como sociedade que não dá a importância devida aos seus indivíduos e que não consegue combater um inimigo que aflige a todos, considerando que depois que o gatilho é puxado, não se sabe quem a bala atinge.

Juliana Rebellatto Locatelli
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