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Decisão recente do Superior Tribunal de Justiça reforça a importância da manifestação expressa do proprietário e da documentação da relação condominial.

Condomínio irregular pode cobrar taxa condominial?

A resposta depende das circunstâncias do caso.

Em decisão divulgada recentemente, o Superior Tribunal de Justiça reconheceu a legitimidade da cobrança de taxas por um condomínio irregular em uma situação na qual a proprietária havia concordado expressamente, por escrito, com a obrigação de pagamento.

O entendimento chama atenção para um ponto especialmente relevante na administração condominial: a forma como obrigações são constituídas e documentadas pode ter impacto direto em uma futura cobrança. stj.jus.br

O que o STJ decidiu?

O caso envolvia uma ação para cobrança de cotas referentes a aproximadamente cinco anos.

Ao analisar o recurso, a Terceira Turma considerou que havia uma circunstância que diferenciava aquela situação de precedentes anteriores: a proprietária havia manifestado formalmente sua concordância com o encargo.

Segundo o STJ, os precedentes que protegem quem não aderiu à obrigação não poderiam ser aplicados automaticamente a uma situação em que ficou demonstrado o consentimento voluntário do proprietário.

Por isso, naquele caso concreto, prevaleceu a autonomia da vontade e a cobrança foi considerada legítima. stj.jus.br

Isso significa que todo condomínio irregular pode cobrar taxas?

Não.

Esse é justamente o cuidado mais importante na leitura da decisão.

O julgamento não estabeleceu uma autorização genérica para a cobrança por qualquer condomínio irregular. A existência de anuência contratual expressa foi determinante para a conclusão adotada pelo STJ.

A própria decisão utiliza a técnica de distinguishing, pela qual o tribunal verifica se as particularidades do caso permitem diferenciá-lo dos precedentes existentes. scon.stj.jus.br

O que essa decisão ensina para a administração condominial?

Mais do que uma discussão sobre cobrança, o julgamento reforça a importância da organização documental.

Quando uma obrigação precisa ser exigida posteriormente, contratos, termos de adesão, manifestações de concordância, deliberações e demais documentos relacionados à relação jurídica podem assumir papel relevante na análise do caso.

Por isso, a gestão jurídica da inadimplência não começa apenas quando uma cobrança precisa ser ajuizada. Ela também passa pela forma como as relações e obrigações são estruturadas ao longo do tempo.

Para administradoras de condomínios

A decisão é uma boa oportunidade para revisar procedimentos internos.

Vale observar como as obrigações são formalizadas, quais documentos são mantidos, como manifestações dos proprietários são registradas e se as informações necessárias permanecem acessíveis quando surge uma situação de inadimplência.

Uma documentação organizada não elimina conflitos, mas pode trazer mais segurança para a tomada de decisão e para a definição da estratégia de cobrança.

Informação jurídica também é ferramenta de gestão

Decisões judiciais podem alterar ou esclarecer riscos que fazem parte da rotina de quem administra condomínios.

Acompanhar esses movimentos e compreender suas consequências práticas permite tomar decisões mais seguras antes que uma questão operacional se transforme em um problema jurídico.

Hartmann Burmeister
Inteligência jurídica para empresas e negócios.

Fonte: Superior Tribunal de Justiça, REsp 1.968.030/DF.

Consultar a notícia oficial do STJ:

https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2026/27082026–Anuencia-expressa-de-proprietaria-autoriza-cobranca-de-taxas-por-condominio-irregular-.aspx?utm_source=chatgpt.com